terça-feira, outubro 21, 2014

MI: 16 Outubro foi o dia em que (re)conheceste o teu irmão

Querida MI:
o teu irmão nasceu dia 14, mas só o viste dia 16. Passaste 4 dias sem me ver. Sei que andavas pela casa a dizer "mamã não há", e era difícil explicar-te onde é que eu estava, por isso já esperava a tua reacção de zanga.

Chegaste ao hospital zangada, não me falavas, não me dirigias o olhar. Ao mesmo tempo estavas assustada e agarravas a tua boneca preferida como se fosse uma bóia. Peguei na tua boneca e carreguei na barriga, ela faz uns sons muito giros e tu começaste a abrir o sorriso. Olhaste então para o X., que estava ao colo da avó. Olhaste para a tua boneca e novamente para ele e disseste: dois! Para ti eram 2 bonecos. Aproximaste-te então e carregaste na barriga dele. Ele não fez os sons muito giros que esperavas e ficaste espantada. Mas abriu e fechou os olhos então isso soou-te familiar e disseste que estava no "oó!" Tranquilizou-te estares a perceber alguma coisa. Andámos pelo corredor do hospital a ver bebés dos outros quartos e cartazes com bebés, foste sorrindo e apontando para tudo.

Viemos todos para casa nesse dia.

Disseste-lhe olá e ele fez um "uaá", abriste os olhos de espanto, como quem diz "ele respondeu-me!!!". Foi aí que ele te conquistou, mesmo sem sabê-lo. Quiseste ir mostrar o teu quarto, os teus brinquedos preferidos, querias que carregasse nos livros que dão sons, mostraste tudo o que o teu quarto, o teu mundo, tem de mais bonito.

Desde então preocupas-te quando ele chora, sorris e dás mil beijos nos pés, pernas e cabeça. É-te difícil perceber que ele não olhe para onde queres que olhe, mas aceitas.
E só, mesmo só, quando estás com muito soninho e cansada, em que o colo do pai já não é suficiente e queres o da mãe, e ele está ocupado com o mano a mamar ou a nanar é que ficas triste e tentas que ele saia de lá, dizendo "dai, dai"=sai, sai, não querendo partilhar aquele colo que foi só teu durante 2 anos.

Querida MI, no dia 16, dia em que (re)conheceste o teu irmão - aquele a quem fazias festinhas através da barriga, empurrando o umbigo da mãe para dentro porque pensavas que era aí que ele estava - transformaste-te na irmã mais velha(!), mas continuas a ser o meu amor pequenino. E, minha querida, o amor cresceu!

1 comentário:

Maria João Faísca disse...

Ai Manfinhas... Que privilégio conhecer-te (e mais não digo).

Beijinhos!